Adriana Oliveira Lima (publicado em 03/09/2007) Tem-se freqüentemente confundido o ideário da chamada Escola
Nova (Pioneiros da Educação, 1930) com as idéias pedagógicas deduzidas da teoria
piagetiana do desenvolvimento da criança (Epistemologia Genética). Vejamos a
importância deste movimento e suas diferenças para o que Lauro de Oliveira Lima
chamou Método Psicogenético.
O movimento escolanovista (Escola Ativa, Claparéde) teve seu
berço na Europa e Estados Unidos tendo seu apogeu no Brasil nos anos 30
(Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, 1932) e tinha por base as descobertas
da psicologia a respeito de uma infância com características próprias (a criança
não é um adulto em miniatura) e das inúmeras pesquisas sobre o pensamento
infantil. Surgiu, pois como uma reação aos métodos tradicionais de ensino que
não desenvolvem metodologias específicas correspondentes ao desenvolvimento da
criança.
As metodologias criadas então tomavam um novo paradigma no
processo educacional, isto é, a criança, o educando, passa a ser o centro do
processo e seus interesses são considerados como o motor da aprendizagem. Desta
forma, algumas destas tendências pregaram um completo espontaneísmo no processo
educativo onde o aluno estava inteiramente livre e o professor desempenhava o
papel de acompanhante neste processo. Entretanto, as pesquisas de Jean Piaget,
embora um "filho" da Escola Nova, conduziram a outros procedimentos educacionais
dado o volume de descobertas sobre o pensamento da criança. Estes estudos
piagetianos tanto epistemológicos como psicológicos, deram um enorme suporte
para se pensar a educação. Neste contexto que Lauro Oliveira Lima formulou uma
pedagogia exposta em mais de 20 obras, que denominou de Método Psicogenético
onde, sem tornar-se um espontaneista, combate frontalmente as metodologias
tradicionais de ensino.
O método psicogenético, empregado em nossa prática pedagógica,
consiste em seu âmbito pedagógico/filosófico num DIRETIVISMO onde os processos
pedagógicos são rigorosamente planejados e conduzidos conforme o desenvolvimento
das estruturas mentais descritas por Jean Piaget, isto é, sob uma teoria
científica do conhecimento.
No diretivismo pretende-se superar o autoritarismo / repressão
e o espontaneísmo / anarquia, na concepção de que a liberdade não é inata, mas
uma longa construção que segue os estágios do desenvolvimento da criança.Sendo
uma progressão, há de se respeitar a estrutura de desenvolvimento organizado a
vida escolar em conformidade com as possibilidades da criança e para tanto a
dinâmica de grupo e a situação-problema garantem a graduação neste longo
processo. Assim, limite, organização e particularidade na vida social
/familiar,subordinam-se a certas disciplinas e regras que são gradualmente
modificadas e discutidas, consistindo na estrutura básica da construção da
liberdade. "Fazer o que quer" ou ser subjugado pelo autoritarismo é o caminho
mais direto para construir adultos inseguros e egoístas. É necessário
compreender este processo progressivo de libertação do indivíduo no sentido e na
direção da cooperação e solidariedade.
As constantes argumentações que ligam Piaget a um espontaneísmo
anárquico aparecem no contexto das mais atrasadas concepções da educação, da
sabotagem dos sociais-educativos. E assim que aparece a recente declaração do
coadjuvante da ditadura Arnaldo Niskier que, naquela época considerava Piaget
"perigoso" e hoje aponta-o como inadequado a realidade brasileira.
Disciplina e organização fazem parte estrutural de um método
cujas crianças vivem / convivem em grupos, aprendem a argumentar, posicionar-se
e a enfrentar problemas. A inteligência é organizadora o que é absolutamente
contraditório com espontaneísmo como também com o autoritarismo, vez que esta
organização é interior e precisa ser construída por cada indivíduo singular,
encontrando, no DIRETIVISMO a dosagem de equilíbrio entre a disciplina ambiental
e a liberdade de resolver os problemas conforme a capacidade individual de cada
criança.
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