Adriana Oliveira Lima (publicado em 03/09/2007) As pedagogias tradicionais construíram os
currículos e suas metodologias sem considerar os avanços da psicologia. Piaget,
em "Psicologia e Pedagogia" pergunta-se como pode a pedagogia desconsiderar as
descobertas dos processos cognitivos fornecidos pelos avanços da psicologia
genética. Ele se referia ao vazio de efetivos avanços pedagógicos entre os anos
de 1930 e 1960. O que diria ele ao constatar que tão poucos progressos foram
feitos até os dias de hoje (1997, a três anos de um novo milênio!). O fato é que
as escolas em sua maioria permanecem imutáveis em sua organização circular e
ignorantes quanto aos processos do desenvolvimento cognitivo e da
aprendizagem.
A matemática, segundo as teorias do epstemólogo, é
a própria forma do pensamento operatório e a estrutura do pensamento. Desta
forma é que torna-se inconcebível que permaneçam os programas inadequados ao
desenvolvimento intelectual da criança e do adolescente ( capacidade e
possibilidade de aprendizagem). É igualmente inconcebível que as metodologias
permaneçam as mais arcaicas formas cumulativas de aprendizagem.
Concebe-se a matemática como um mero algoritmo
(fórmulas, contas) que é aprendido por acumulação como, por exemplo, aprender a
multiplicar por dois, por três e sucessivamente até "números grandes"(sic!).
Piaget mostra que estas operações, são adquiridas como operações de conjunto e
são compreendidas em totalidade e assim é que aprende-se a somar no mesmo
processo de subtrair ou multiplicar e dividir.
As máquinas de calcular, hoje reduzidas a
instrumentos banais fazem em segundos aquilo que as escolas despedem todo o seu
tempo para ensinar. Na concepção piagetiana, o algarismo (fórmula, conta) é o
último elemento a ser ensinado uma vez que os problemas e as estratégias de
resoluções é que de fato desenvolvem a inteligência e garantem a aprendizagem
mais duradoura e estrutural.
As dificuldades de entender uma simples tabuada ou
uma rede de arquivos num computador apontadas em recente reportagem no jornal do
Brasil sobre informática e educação, mostra como o raciocínio se sobrepõe aos
algoritmos. Uma operação multiplicativa (tábua, árvores, redes, classes etc)
representa muito mais que a simples conta de multiplicar.
A escola deveria trabalhar com o desenvolvimento
do raciocínio operativo mais amplo e completo segundo as reais possibilidades da
criança e do adolescente sem, contudo, deixar de ensinar as operações, no
sentido clássico dos algoritmos, tão logo a estrutura do pensamento
permita.
Mas do que nunca, o mundo moderno pede pessoas
inteligentes, capazes de resolver problemas e propor solução novas, criativas.
Acabou a era do cálculo, das continhas e de tabuada, um computador faz isto na
velocidade da luz.
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